BSOP 20 anos: Devanir Campos destaca importância da cidade de São Paulo e revela história inédita

Diretor exaltou a importância da cidade paulista e contou uma história curiosa após o término de uma etapa
Devanir Campos não poupou elogios para a cidade de São Paulo

Na noite de ontem (18), Devanir Campos e Rafael Moraes fizeram um anúncio sobre o início das ações em comemoração aos 20 anos do BSOP (Brazilian Series Of Poker). Além de falar sobre as ações que irão marcar as festividades, a dupla compartilhou uma notícia impactante: na etapa de abertura da temporada, o circuito atingiu a imponente marca de R$ 1 bilhão em premiação distribuída.

Uma das cidades que mais contribuíram para essa imponente marca é São Paulo. O circuito está realizando a 142ª etapa da história e a capital paulista está sediando o evento pela 55ª vez. “Aqui tem muitos significados especiais”, destacou DC.

O CFO da empresa seguiu pontuando os aspectos que tornam a cidade tão especial para o circuito. “O primeiro é que aqui foi onde tudo começou, onde teve a primeira etapa da história. Agora, em relação ao Brasil, São Paulo é a maior concentração de pessoas: tem a maior população, maior PIB per capita, a maior conectividade de voos, é o lugar mais fácil de se chegar em todo o Brasil”.

Devanir Campos em discurso na abertura do BSOP São Paulo 2026

Apesar de ser a cidade que mais recebeu etapas do circuito, a capital paulista só se tornou a maior etapa de um ano na quinta temporada, em 2010. Na oportunidade, o Main Event recebeu 1.000 inscritos, um recorde histórico para o circuito. “Foi natural o caminho das etapas em São Paulo se tornarem as maiores. Com o tempo e a popularidade do poker aumentando, acredito que a cidade ser o epicentro, concentrar as maiores etapas e as maiores premiações foi algo orgânico”.

Apesar de não apontar um fator determinante para o crescimento exponencial do field em São Paulo, o dirigente relembrou esse momento marcante da história. “Em 2010, foi um salto muito grande de tamanho de torneios. Talvez, foi nesse momento que o público de São Paulo, que jogava em outros clubes e em outros lugares, começou a ver que quando o BSOP acontecia, era diferente. Todo mundo está indo, está vindo gente de fora e não é apenas mais um torneio, é realmente um campeonato diferenciado. Pode ser que esse tenha sido o ponto determinante para se tornar o tamanho que virou em São Paulo”.

Questionado se imaginava as proporções que o BSOP se tornaria quando o projeto foi idealizado, sendo referência em profissionais e pioneirismo, DC abriu o coração e explicou o motivo da criação do circuito. “Acho que ninguém naquela época conseguiria vislumbrar onde o evento ia chegar em alguns anos. Primeiro, porque nós começamos a organizar torneios, pois éramos apaixonados por poker e queríamos jogar, foi aí que o Circuito Paulista foi criado. Quando o BSOP surgiu, queríamos dar um passo além e rodar várias cidades do Brasil, ter uma abrangência maior, mas não tínhamos a pretensão de ser um evento deste tamanho e nem a noção de quantos jogadores existiam no país. Nós só tínhamos um sonho: de fazer torneios. Víamos esse mercado crescendo e bombando fora do Brasil. Acreditávamos que era possível fazer algo similar, mas não tínhamos uma visão de muito longo prazo ou plano estratégico, justamente por todas essas inseguranças e dificuldades”.

Entretanto, Devanir Campos também falou das batalhas que o esporte enfrentou inicialmente, principalmente o preconceito. “Quando você falava a palavra poker, logo vinha em seguida a pergunta: ‘Pode?’ Esse era o cenário que vivíamos. Existia uma insegurança de você fazer eventos e entidades do poder público irem lá, fecharem os eventos e os clubes”.

Em alguns momentos as dificuldades foram tantas que por muito pouco não abriu mão de persistir no sonho. “Chegou perto, de verdade, e em diversos momentos. Todos os sócios que passaram pelo BSOP tiveram oportunidades que nós olhávamos e se perguntaram: ‘Será que tá valendo a pena?’.

Porém, os obstáculos foram estímulos para seguir trabalhando e olhar um horizonte positivo. “Era uma briga boa de briga, existem algumas que não são boas, mas essa nós enxergávamos como uma boa. Chegou a um ponto, que começamos a olhar como uma montanha e que tínhamos que a transpor. Se conseguíssemos superar esses desafios, os outros não seriam nada além de empreendedores comuns brasileiros. Falando como jogador de poker: ‘Se a gente passa desse ponto, o EV é muito bom’. E isso nos dava muito gás para continuar, além da vontade de vencer essa batalha, pois a gente sabia que não era nenhum criminoso, que não estávamos descumprindo as leis do Brasil, que seguíamos um caminho muito certo. Então, a gente queria provar que não estávamos fazendo nada errado. Ainda bem que não desistimos”.

Devanir Campos e Rafael Moraes no BSOP São Paulo
Devanir Campos e Rafael Moraes no BSOP São Paulo

Devanir não conseguiu apontar um episódio como a vitória do poker, mas pequenas grandes conquistas que foram acontecendo ao longo do tempo. “Foram vários. Foi uma construção que foi levada para um momento de segurança. Quando começamos a ter autoridades do poder público mostrando o rosto e abrindo os eventos. Começou com escalões menores da administração pública como o Secretário de Esportes, um Secretário de Turismo. Depois, começamos a ir para uma esfera estadual e então apareceram alguns nomes de relevância nacional como figuras do esporte, da mídia e até que teve deputados, senadores e teve um dia muito emblemático, que foi quando o então Ministro dos Esportes daquela administração do governo federal fez um discurso abrindo o evento. Era a maior figura da hierarquia esportiva no Brasil, vindo e chancelando essa atividade, dando o rosto institucional e fazendo a abertura. Foi um peso enorme nesta batalha, um momento-chave”.

Com a briga contra preconceito vencida, o BSOP empilhou conquistas. Sendo reconhecido mundialmente como um circuito modelo em organização e inovação. Em 2024, no Global Poker Awards, o Oscar do Poker, o circuito foi coroado como o melhor circuito do mundo. Porém, a organização está longe de se acomodar. “Nós temos ideias o tempo inteiro, mas temos que colocá-las em um ritmo certo, pois podemos nos atropelar. O mercado brasileiro está amadurecendo e o mundo está começando a enxergar a América do Sul como um mercado de poker pujante. Lidamos com algumas dificuldades, como moedas desvalorizadas. Em termos financeiros, nossos campeonatos são menores em relação à Europa e América do Norte, mas estamos conseguindo superar esses desafios, atraindo cada vez mais jogadores de fora. A gente tem muitas ideias do que quer fazer para o futuro, de experiências que queremos proporcionar e acho que tudo isso faz parte de um plano de crescimento para os próximos anos”.

Para encerrar, Devanir Campos contou uma história inédita que aconteceu nos primeiros anos da história do circuito. O local? O maior aeroporto da América Latina: Guarulhos. “Até 2009, muitas das etapas do BSOP eram feitas em clube social, onde as pessoas costumam fazer formaturas e casamentos, não existia um ecossistema de empresas que faziam os insumos, não tinha mesa de poker pra você comprar. Nós usávamos as mesas redondas de coquetel de festa e pregávamos um feltro, nós fazíamos o acabamento. Inclusive, antes de começar as etapas, já fiquei grampeando mesas por dezenas de horas. Basicamente, o material que levávamos era os troféus, as fichas e os baralhos. Como era pouco, nós levávamos no avião. Uma vez, voltando pra São Paulo, chegamos em Guarulhos e com aquela delicadeza que alguns carregadores de malas jogam. Quando começou a sair as malas na esteira, foi um mar de fichas. Tinha quebrado umas caixas de ficha. Tinha ficha espalhada em toda esteira em um aeroporto de Guarulhos. Tiveram que parar as esteiras, catando as fichas e juntando em sacolas e malas. Foi um caos, porque parou a esteira. Foi um Deus nos acuda”.  

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