Nas primeiras horas do último domingo (1) chegou ao fim a primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Poker. Como era esperado, o BSOP Summer foi um sucesso absoluto e distribuiu quase R$ 30 milhões em prêmios. O grande destaque do cronograma foi o BSOP Championship, que se tornou o maior prize pool da história do circuito fora de São Paulo e terminou com a vitória de Victor Onizuka, superando Matheus Rocha no duelo final.
O pontapé inicial do BSOP Summer foi no dia 23 de janeiro, mas até o dia 20, o competidor dava como certa a ausência no evento. “Eu não fui para o BSOP Millions porque eu queria muito ir ao Summer, mas as coisas não estavam indo muito bem e eu não consegui pegar nenhum pacote. Então, eu já tinha optado por não ir mais”, recordou.
No dia 21 de janeiro, um personagem crucial para essa história, o profissional Fabricio Nociolini. “Ele me ligou questionando se eu ia ou não. Ele também queria conversar comigo para eu voltar para o time. Com isso, o Fabricio me chamou para ir pra lá e eu decidi voltar para o Insight Poker Team. Foi totalmente de última hora. Eu nem ia e tive meu maior resultado”.

As curiosidades sobre o grande resultado de Matheus não param por aí. Diferente da maioria dos jogadores que efetuaram o buy-in de R$ 25 mil para o torneio, o profissional conseguiu a vaga para o torneio em um satélite realizado na Arena Sauípe, local onde estava sendo realizado o BSOP Summer. “Eu tinha jogado poucos torneios, o Main Event eu não tinha passado para o Dia 2, no High Roller eu não entrei no ITM, mas tinha conseguido a vaga no satélite”, resumiu como estava sendo a etapa até engatar no BSOP Championship.
Com o investimento de R$ 3.000, valor da entrada no satélite, o jogador conseguiu a vaga para o BSOP Championship. A disputa contou com 206 inscritos e o jogador só foi parado no duelo final. A segunda colocação rendeu a bagatela de R$ 581.000, após um acordo no 3-handed, lhe rendendo um ROI (Retorno sobre o Investimento, na tradução) de 19.266%. “O sentimento é de trabalho recompensando. Uma mesa final muito difícil, muitos jogadores muito bons, no principal torneio da grade do evento. Já estava feliz em ter chegado na mesa final, e ainda ter tido esse resultado me deixou bem realizado. Foi uma baita experiência, que ficará guardada pra sempre na minha memória”, festejou o campeão.
Apesar dos grandes valores envolvidos, o jogador revelou que a preocupação não estava no dinheiro. “Estava pensando apenas em curtir o torneio, em tomar as melhores decisões e o resultado acabou vindo. Antes, eu criava mais expectativa, mas depois de anos jogando acabo não criando mais. Óbvio que queremos os resultados, mas eu evito, busco só em tomar as melhores decisões”.
Fazer uma grande mesa final no circuito não era novidade para Matheus. Em 2025, o competidor já havia ficado entre os nove melhores do Main Event do BSOP Winter. O competidor comentou sobre a importância da primeira grande decisão para a do último final de semana. “Acaba que a gente cria uma casca. Tinha sido meu último evento live, entrei em segundo em fichas, mas fui eliminado em nono, faz parte. Sabia que nessa decisão também poderia acontecer muita coisa, pois o poker é assim. Estava tranquilo e bem confiante”.

Logo após a formação da mesa final do BSOP Championship, o circuito fez um evento inédito: o CarnaBSOP, com a principal atração sendo o grupo Timbalada. Apesar da grande mesa final no dia seguinte, o jogador aproveitou a experiência. “Foi muito legal essa novidade do BSOP. Eu curti um pouco a festa, fiquei com meus amigos e, obviamente, busquei não exagerar. E a parte mais legal é que todos os finalistas estavam lá também“.
Antes da decisão, o jogador revelou que estudou o cenário da mesa final e quais eram os principais pontos de atenção. “Cheguei a estudar de manhã, antes da mesa final. Pedi para um amigo rodar uns spots da mesa final. Minha principal preocupação era que se tratava de uma mesa final atípica, estava muito deep. Tínhamos eu e mais dois com 100 blinds e os demais também com muita ficha. Nós do online não estamos habituados a essa estrutura, o que me deixou desconfortável. Então, eu queria ver como jogar neste formato”.
Questionado se ter começado a mesa final como chip leader, mas não ter alcançado o título ficou com algum sentimento amargo, Matheus Rocha esbanjou sinceridade. “Pelo contrário, estou bem feliz. O poker é assim, não necessariamente você vai entrar na mesa final chip leader e sair campeão, tudo pode acontecer. Estou feliz com as tomadas de decisão, pois foi uma mesa final muito difícil e o baralho também me ajudou, poderia ter caído antes. Enfim, não dá pra reclamar, tive o maior resultado da carreira em uma grande mesa final”. O profissional seguiu falando do impacto do resultado na carreira. “Traz confiança e mais gás para continuar estudando e jogando. Mostra que estou no caminho certo”.
“É difícil dedicar especificamente para uma pessoa, pois acabo lembrando de muitas pessoas. Primeiramente a Deus, os planos Dele são maiores que o meu. No último live, as coisas não foram como o esperado, e acredito que é porque ele tinha um plano melhor para mim. Aos meus pais, que torcem por mim, ao pessoal da Insight que lembrou de mim e deu a oportunidade de jogar esse torneio, sempre me tratam com muito carinho, não poderia deixar de mencioná-los, principalmente, o Fabrício que me ligou”, encerrou o profissional.












