O poker é um esporte democrático. A partir do momento que o competidor efetua a entrada no torneio, todos os jogadores são iguais: profissionais, recreativos, homens e mulheres lutam pelo mesmo objetivo, conquistar o título. A competição é inclusiva e pessoas com deficiência também possuem as mesmas ferramentas para alcançar a vitória. Quem dá show neste quesito e mostra que o esporte é para todos é Vinícius Silva.
Vini, como é conhecido na comunidade, nasceu com paralisia cerebral, que afetou o lado direito da parte motora. Com muita garra, enfrentou todas as dificuldades e é uma figura constante nas principais etapas do circuito. Logo no primeiro dia do BSOP Foz do Iguaçu, o jogador deu show e conquistou o título do Night Turbo. Foi o segundo título do competidor no maior circuito de poker da América Latina.
O empresário do interior de São Paulo também possui outro grande feito: foi a segunda pessoa com deficiência na história a alcançar uma mesa final da Copa do Mundo de Poker, em Las Vegas, em 2017. “É muito importante pra mim e para minha família”, começou falando sobre a conquista da noite anterior. “Também é importante, pois na última conquista eu era um jogador profissional de poker. Hoje, sou um ex-atleta, tenho outros compromissos e outros empreendimentos. Estou muito feliz com a minha vitória”.
O empresário falou da sua relação com o poker e os motivos que seguem trazendo-o para os salões do BSOP. “Pra mim, é uma diversão, é um local onde encontro os amigos, aqui tenho muitos, além de estar com a minha família, nós gostamos muito de viajar juntos. Onde posso me divertir, dar risada, beber e me distrair”.


Vinicius Silva exaltou o poker como um esporte inclusivo. “É um esporte que mexe muito com o intelecto da pessoa. É dinâmico, faz com que eu fique dez, doze horas concentrado no jogo. Cada jogada me faz pensar qual a melhor opção”.
A esposa do campeão, Dryele Silva também deixou o seu depoimento sobre a paixão do jogador com a competitividade. “O Vini sempre amou todos os esportes. E o poker trouxe a oportunidade de estar neste meio. Muitas pessoas ainda têm o preconceito com o jogo de azar, mas a gente sabe que é um esporte, mexe com o intelecto, precisa ter concentração, tem que pensar e estudar. Foi uma chance que ele teve de estar no meio de esportistas competindo”.
O campeão encerrou deixando um convite. “É difícil chamar mais pessoas, pois cada um tem a sua dificuldade, mas mesmo que tenham muita dificuldade, venham. Aqui, do jeito que eu fui acolhido, tem muitas pessoas que ajudam em tudo. Dão essa oportunidade e faz ser possível cada dificuldade competir, pois o poker é muito inclusivo”.
Dryele também aproveitou o espaço para deixar um depoimento que emocionou o marido. “É extremamente gratificante ver essas conquistas. Nós temos quatro filhos, a mais nova tem quatro anos, e o orgulho dela quando ele chegou com o troféu. É um jeito dele se superar e mostrar para todos nós em casa que não importa a deficiência, a dificuldade, ele foi e fez. Mostra para os meninos não serem acomodados, não se limitam a nada. É engraçado que eles nem enxergam a deficiência, pra eles não tem dificuldade nenhuma, às vezes, eles querem que ele faça mais que pode, eu tenho que segurar. Então, eles nem enxergam essa deficiência, isso que é o mais legal”.










