Viajar para disputar uma etapa como o BSOP Costa do Sauípe pode ter diferentes significados. Para alguns, é a chance de garantir uma bela forra. Para outros, é a possibilidade de unir poker e turismo. Já para Maurivan Borges, foi a realização de um sonho.
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Em entrevista realizada nesta terça-feira, último dia do histórico BSOP Costa do Sauípe, Maurivan contou um pouco sobre a sua trajetória. “Sou profissional há 3 anos, jogo online, comecei no ABI baixo, estou no ABI 12 agora. Entrei para o InstaShove (time de poker), e eles falaram que podia jogar o satélite de US$ 22 no PokerStars, o step. Joguei e passei. Tanto que como cravei em cima de um amigo meu, falei que ia cravar e levar ele comigo. Fui para o Mega de US$ 215, peguei a vaga e acabei vindo para cá”.
Porém, o mais impressionante é que conquistar o Mega Satélite significou mais do que apenas participar do BSOP Costa do Sauípe, e Maurivan explica. “Foi doideira, porque eu nunca tinha pegado um avião na minha vida, sou do Tocantins, de Araguanã. Tem cinco mil pessoas lá. Eu peguei avião pela primeira vez, conheci o mar pela primeira vez, tomei umas pancadas da onda, e é a primeira vez que eu venho para o Main Event de um evento desse tamanho. Já joguei na minha cidade, clube pequeno, e cheguei aqui e ainda peguei um quinto lugar no PKO”.


Maurivan também contou como foi a experiência de chegar até a Mesa Final logo em sua estreia no BSOP. “A FT foi tranquila, o que pegou foi a bolha, porque eu fiquei muito nervoso. Era a minha primeira bolha de live. Falei: “não posso bolhar”, e tinha um cara muito bom na minha mesa dando raise e tal. E eu só lembrava do HRC (Hold’em Resources Calculator), dos estudos, o ICM está esmagando, tenho que ficar quietinho. Mas depois que estourou, foi como se tirasse um peso das costas, depois o jogo fluiu.”
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Pela quinta posição no Progressive KO, torneio de buy-in R$ 3.000, Maurivan Borges levou R$ 12.900. Porém, ele conta que foi uma premiação em um torneio muito menor que deu início a essa nova fase de sua vida. “Quando eu conheci o poker, eu cravei um US$ 2.20 no final de 2019. Foi com esse dinheiro que comprei o computador que eu tenho hoje para jogar. Eu comprei, fui jogando, ganhando mais dinheiro, e falei: é aqui mesmo. É poker, é poker, é poker!”
Porém, como vários jogadores já sofreram na pele, não foi unânime o apoio e a compreensão da família sobre essa nova carreira. “A esposa sempre me apoiou. Ela trabalha de plantão, não conseguiu ajeitar o plantão na UPA. Eu e meu amigo viemos para trabalhar, não para curtir. Já meu pai não entende muito. Minha mãe perguntou: e a faculdade? Porque eu tranquei a faculdade, estava no último período da Licenciatura em Química, tranquei na pandemia.”
Por fim, quando voltar para sua família, em Araguanã, Maurivan Borges conta o que deve falar. “Acho que vai depender de quem vou conversar primeiro. Minha esposa é bióloga e enfermeira, vou falar do mar, que vi o siri, falar sobre a vida”.










