Se em 2006 era difícil imaginar se tornar profissional de poker ou criar um circuito nacional, dar início a um veículo de mídia especializado para o esporte parecia improvável. Entretanto, se tem uma qualidade que a comunidade brasileira nasceu foi: apaixonada. O primeiro lugar que os adeptos do esporte procuravam notícias era a comunidade Poker Mania, no extinto Orkut.
“Na comunidade do Orkut ficava a nata do poker. André Akkari, Igor Federal, Robgol [Robinson Quiroga] e por aí vai era todo mundo mesmo. Ali ficava todo mundo conversando sobre o jogo, não tinha outro canal”, relembrou Luís Bertazini, fotógrafo oficial do BSOP.
Com algumas pessoas notando o apelo dos brasileiros, foram criados os primeiros veículos. Ícone da comunicação brasileira, Victor Marques, que na época era jogador profissional de poker, comentou sobre o surgimento de um dos primeiros veículos especializados, o SuperPoker. “Existiam histórias no poker que estavam lá para serem contadas. A primeira grande história é do CK [Christian Kruel] e Raul [Oliveira], o que esses caras e os brasileiros estão fazendo na mesa? Que sites são legais para jogar? Quais as regras do jogo? Posso mostrar pro meu pai que eu ganhei um torneio? Se não sair na mídia, não aconteceu. A grande verdade é essa. Então, o pensamento era esse, um caminho natural que a gente foi fazendo”.
Quando se fala em comunicação, as primeiras ferramentas que vêm à cabeça são os canais de televisão e portais online, mas outras peças fundamentais no esporte foram a cobertura escrita e a fotografia, responsáveis por registrar momentos icônicos desde a primeira temporada do BSOP. A partir de 2008 Luís começou a exercer ambas as funções. “O Daniel Cantera, o Tevez, anunciou uma nota no Orkut procurando alguém para trabalhar no PokerNews Brasil. Os requisitos eram: estar cursando jornalismo, falar inglês e entender de informática. Eu não atendia nenhum deles [risos]. Pedi uma semana para ele. Na primeira semana entrevistei o Thiago Camilo e outras pessoas do universo, fomos ali produzindo material. Porém, só fomos ter a informação de um grande evento que havia acontecido em Campos Jordão uma semana depois”.
Foi então que veio a ideia de aumentar o projeto. “Falei que precisávamos manter as pessoas informadas e tentar divulgar o quanto antes o que estava acontecendo. Creio que 30 dias depois, estávamos fazendo cobertura in loco do LAPT e de lá não parou mais. Conseguimos abrir portas para muita gente começar a trabalhar no Brasil todo”.
O início na fotografia foi ainda mais curioso. “Eu já fazia a cobertura escrita, mas o BSOP não tinha dinheiro pra investir em publicidade e não conseguia bancar para todos irem às etapas. Até que teve uma etapa no H2 Club e eu vi um fotógrafo, foi o primeiro no poker. Eu achei a ideia sensacional, mas não tinha dinheiro para comprar o material. Porém, eu também jogava online e acabei acertando um torneio grande no PokerStars, levei US$ 20 mil. No outro dia estava comprando computador, máquina fotográfica e flash. Ofereci meus trabalhos para o DC [Devanir Campos]. Ele precisava de um fotógrafo, mas sabia que eu não tinha experiência, mas acreditou no meu trabalho. Desde então são 18 anos de BSOP”.
Quando o poker teve uma primeira avalanche de popularidade, as primeiras vozes a serem ouvidas foram da dupla Ari Aguiar, na narração, e Sérgio Prado, como comentarista, nos tradicionais programas da WSOP na ESPN. “Eu comecei tendo que cobrir o Akkari, a World Series daquele ano nós fizemos juntos, o Ari, Akkari e eu. Depois que ele ganhou o bracelete, ficou muito difícil dele continuar e o pessoal da emissora pediu para eu assumir. Foram muitos anos trabalhando juntos, sempre tivemos essa sintonia. Sempre seguramos os programas gravados, quando era no ao vivo, a gente chamava um convidado, pois nenhum de nós somos grandes jogadores de poker”, falou o Gerente de Eventos Ao Vivo do PokerStars.
Questionado sobre ser uma das primeiras vozes a serem ouvidas pela nova geração, Sérgio respondeu. “Eu entendo esse carinho, pois a ESPN, apesar de ser um canal fechado, tinha uma penetração gigantesca e tinha uma grande audiência, apesar de hoje não passar mais o poker. Naquela época, foi a maior porta de entrada que podíamos ter. Tentaram colocar na TV aberta, como Band e SBT, mas a ESPN é pra galera que é mais apaixonada por esporte. É meio que o conteúdo certo na hora certa, pois o poker ainda estava engatinhando no Brasil e veio um mega canal, como ESPN, transmitindo o maior evento do mundo e chamou a atenção de muita gente. Teve muitos curiosos, mas também muitas pessoas que quiseram levar o poker pra vida”.
Se no início do BSOP era um fotógrafo e alguns jogadores que se aventuravam como redatores para reportar para a comunidade no Orkut, no último BSOP Millions o evento contou com 150 profissionais de comunicação de diversas nacionalidades, reportando quase real time o que acontece na língua portuguesa, espanhola e inglesa. Com o crescimento das redes sociais, a perspectiva de crescimento desta área está longe de ter uma queda na velocidade.














