BSOP 20 anos: Lara Bruno comenta vitórias e desafios ao longo dos anos nos bastidores

COO está no circuito desde 2009
Lara Bruno contou detalhes do crescimento do BSOP

Quem se depara com um salão lindo, onde cada detalhe é pensado para melhorar a experiência nos salões, desde a vestimenta dos profissionais até a imponente mesa da TV, não imagina que existem muitos estudos e também uma pessoa responsável por isso. Muitas vezes ela não está no salão, mas foi primordial por ajudar na revolução do BSOP, a COO Lara Bruno.

A dirigente entrou para o time do BSOP em 2009 a convite do seu primo Igor Trafane, o “Federal”. “Acho que sou a única pessoa que começou e não tinha nenhuma relação com jogo, do pessoal da sociedade. Eu sou de mercado de eventos, fazia desde casamentos até congressos em Angola, vim pro BSOP em 2009 com o pensamento de expansão e transformação. Do evento deixar de ser apenas, mesa, ficha, baralho e dealer para uma experiência”.

A COO revelou que não foi uma escolha muito fácil. “Eu acabei abrindo mão de um trabalho em que eu ganhava bem mais”. A mudança não passou apenas pela parte financeira, mas também pelo julgamento de pessoas próximas. “Ao longo desses anos eu escutei muito: ‘mas poker pode?’, ‘você está trabalhando com jogo?’ Tive muito amigo que me perguntou se eu estava ficando louca, mas eu sabia que era um mercado que a gente ia construir e acabou dando tudo certo”.

A batalha não era apenas pelo reconhecimento das pessoas queridas, mas também para existir. “A gente tinha muito medo, pois teve evento fechado, nós lutamos muito para poder trabalhar com tranquilidade”.

Lara Bruno revolucionou a operação do BSOP

Nas primeiras etapas, conforme contado por Devanir Campos, as primeiras etapas do BSOP fora de São Paulo eram habitualmente em clubes sociais, Lara foi a responsável por buscar novos ares e parcerias com redes de hoteleiras. “Era muito engraçado, pois eu tinha um iPad, com algumas fotos do BSOP, uma pasta da Confederação Brasileira de Poker com documentos legitimando o poker como um jogo de habilidade. Até hoje, quando lembro desta pasta dá um sentimento diferente”.

O início não foi nada fácil. “Eu escutei muitas frases que me chocavam como ‘você não tem cara de quem trabalha com isso’, outras vezes era ‘nossa, uma menina’. Acabei escutando muito isso no passado e hoje a gente recebe, quase que semanalmente, redes hoteleiras do mundo querendo levar o BSOP para seus estabelecimentos. Em nenhum momento eu pensei em desistir ou cheguei a pensar ‘não é poker’, pois nós tínhamos isso tão enraizado na gente, a gente acredita e sempre acreditou nele como esporte da mente, por isso eu nunca tive dúvida neste sentido, nem quando o BSOP foi fechado no Rio de Janeiro”.

Em maio de 2013, o Campeonato Brasileiro de Poker desembarcava, mais uma vez, na Cidade Maravilhosa para a realização de uma etapa. Entretanto, após uma liminar da justiça carioca, o evento foi cancelado, um episódio emblemático para o esporte no país. “Foi muito triste. Pra mim, foi duro, pois era eu que estava lá e com o evento montado. Eu fui a primeira pessoa a receber o pessoal da delegacia, depois, a notícia do hotel que não possibilitaria a gente ingressar na sala. Me senti incapaz de conseguir articular com eles, de conseguir falar com eles de um salão que eu aluguei, onde estão os meus materiais. Pra mim, foi muito doloroso, mas nunca duvidei que nós conseguiríamos ganhar essa ação e provar que o poker é um porte da mente. Doeu, doeu financeiramente, doeu emocionalmente, mandar os dealers pra casa, sair junto com o Igor para falar com os jogadores foi bem doloroso, uma dor de passar a noite chorando”.

Entretanto, o poker não só superou este capítulo, mas como venceu judicialmente a batalha. O momento uniu ainda mais a comunidade que fez não só o esporte como o próprio BSOP alcançar voos maiores, chegando ao imponente Golden Hall, no Sheraton WTC, para realização do primeiro BSOP Millions, em 2015. “Foi uma luta de cinco anos. Eu ia todos os anos, conversava com o pessoal do departamento comercial do Sheraton, falava a verba disponível e eles me respondiam que não pagaria o metro quadrado. A gente se cumprimentava, tomava um café e se encontrava no ano seguinte. Foi muito marcante quando eu cheguei e disse que tinha a verba e conseguiria pagar o valor do metro quadrado. Eu consigo fazer um evento e se ele emplacar, eu consigo realizar todas as etapas do ano seguinte de São Paulo aqui. Foi uma vitória muito grande, foi um abraço diferente, muito mais celebrativo que qualquer coisa”.

A dirigente lembra muito bem da sensação, mesmo onze anos após este passo emblemático. “Foi um sentimento grande de alívio, porque estávamos chegando em uma condição no Holiday Inn que não cabia, estava apertado, nós não conseguíamos se movimentar. Depois, veio a adrenalina. Porque a operação Golden Hall é mais complexa, estamos no quinto andar de um prédio, onde o acesso é por elevador. Ver tudo acontecendo e fluindo foi muito legal”.

Apesar de realizar pela primeira vez o maior evento de poker da América Latina, o sentimento estava longe de ser negativo. “Foi um percurso mais prazeroso do que de medo, pois a gente precisava deste espaço. Tudo que eu planejava e queria não cabia no antigo espaço e aqui sim”, e seguiu falando sobre a realização dez anos depois. “Confesso que eu tenho o mesmo frio na barriga, é engraçado. Eu fecho o olho e consigo enxergar cada parte do evento do jeito que está no projeto, só de entrar no salão. Essa adrenalina e o frio na barriga, sempre tem”.

A atuação da empresária foi além da organização dos eventos e é uma das comandantes da Flush Tour, a agência de viagens oficial do BSOP. Nas últimas semanas, a empresa ganhou dois prêmios envolvendo hotelaria e turismo. “Para as pessoas que começaram agora, às vezes, não sabem qual é a sensação, mas pra mim cada reunião com uma rede hoteleira buscando a gente insistentemente e até querendo nos patrocinar, a emoção é muito grande, pois vivi tudo aquilo de ter que bater na porta e ligar. O mundo era muito diferente e o BSOP também. A etapa do Summer foi uma virada de chave muito grande, pois aqui em São Paulo temos o maior PIB do Brasil, e havia um questionamento se conseguiríamos fazer um grande evento igual fazemos no Golden Hall, mas em outro lugar? Então, ali foi um marco muito grande”.

Após quase 17 anos à frente da operação do BSOP, Lara Bruno não só conquistou o respeito de toda a comunidade como é reconhecida como um dos pilares do circuito, sendo referência para muitos profissionais. “Eu sempre fui muito respeitada, independentemente de ser mulher ou não, já entrei em uma condição privilegiada, em um cargo alto e logo nos primeiros meses me tornei sócia. Isso facilitou muito, mas eu acho que a minha jornada ao longo do tempo foi natural. Hoje, eu tenho o maior orgulho de um time de mulheres no time fixo do BSOP, fizemos uma ação no Dia Internacional da Mulher e foi muito legal, pois quando fui questionada eu falei para não desistir, fique e seja persistente. É o mais importante”.

Lara Bruno se tornou inspiração para profissionais

Questionada sobre alguma história marcante, Lara relembrou a primeira vez que implantou um uniforme para o time do BSOP. “Eu sempre buscava referência fora. O que a WSOP, EPT, PCA e o WPT faziam. Uma das coisas que notei é que existia uma vestimenta e falei para o pessoal que precisávamos fazer um uniforme. Mandei fazer os coletes, que são os famosos coletes dourados, foi um divisor de águas, pois os dealers precisavam usar roupa social. E eu reparei que os floor e os diretores precisavam usar terno, não dava pra ficar com camiseta e calça jeans, não era apresentável. Estávamos no meio da etapa e eu pensei comigo. ‘Quero fazer isso já’”.

Estar no meio do BSOP Rio de Janeiro não foi um problema para a dirigente concluir a mudança. “Não tinha três meses que eu estava no BSOP e eu procurei lojas de aluguel de roupas de casamento e contratei: sapato e terno. Só que tem um porém, essa roupa de aluguel é para usar um dia, não é um sapato confortável e uma roupa maleável”, relembrou e também revelou a reação da equipe. “Eles queriam me matar! [risos] Todo mundo com bolha no pé e dizendo que não ia usar, mas falei que iam continuar usando. Mas também comprei curativo e tudo que precisava. Ficaram com um ódio de mim por ter inventado essa história, mas hoje é um super orgulho para todos”.

A empresária também relembrou outro momento, onde achou que estava participando de uma brincadeira de criança, mas estava correndo certo risco. “A primeira vez que fiz uma visita técnica na Costa do Sauípe, em 2011. Eu levava a trena e as fitas para medir os espaços. Na hora que eu fui medir um corredor para colocar um pórtico, eu vi uma cobrinha no chão. Tinha um monte de criança em volta, quando olhei aquilo pensei que elas queriam me pregar uma peça e fui para pegar a cobra, achando que eram aquelas de brinquedo. Na hora que eu fui pra pegar, a funcionária do hotel gritou comigo pra não pegar. Eu fiquei do lado da cobra tendo a certeza que não era uma cobra de verdade, quando chegou o bombeiro com o equipamento para tirar o animal, no mesmo instante que ele tocou nela, a cobra já se enrolou toda no gancho, e vi que era um animal de verdade”.

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