No último final de semana, Las Vegas foi palco de mais uma grande festa brasileira com o título de Aloísio Dourado na WSOP (World Series Of Poker). O jogador de Brasília foi o responsável pelo 39º bracelete do Brasil na história da Copa do Mundo de Poker.
Apesar de ter começado a mesa final chip leader e ter eliminado quatro dos seis adversários, a disputa não foi nada simples. O mais novo campeão mundial fez uma revelação. “Eu joguei a mesa final doente. Desde o Dia 2 a saúde não estava legal. O clima em Las Vegas não ajuda, muito seco. Pra piorar, erraram a configuração do ar condicionado, para as pessoas terem uma ideia, tinham jogadores com cobertores na mesa, estava muito frio. Só agora estou me recuperando”.
Fazer reta final na WSOP não é novidade para Aloísio. Em 2023, o competidor foi parado no heads-up e foi vice-campeão de um evento. Entretanto, desta vez o jogador superou a trave, chegando à glória. “É a realização de um sonho. Desde que comecei a assistir poker na televisão, eu falava ‘é isso que eu quero’”.
Apesar da conquista ter sido há alguns dias, o jogador ainda não assimilou 100% o grande feito. “A ficha ainda está caindo, que eu sou campeão mundial. Estou em um hall em que pouquíssimos brasileiros têm esse feito na carreira. É muito gratificante isso”.
E seguiu compartilhando o carinho que vem recebendo da comunidade. “É muita gente que eu não conheço vindo falar comigo, pedir dicas, coachs e agradecer, dizendo que sou inspiração. Isso é muito legal, só tenho a agradecer a todo mundo que está me mandando mensagem. Tem sido muito legal essa experiência”.

O primeiro contato de Aloísio com o poker foi em Belo Horizonte, mas começou a se apaixonar pelo jogo em Brasília. Disputando um torneio do Centro Acadêmico, o craque foi campeão do torneio. “Tinha uma mesa de cash game no departamento de Física. Foi neste momento que joguei bastante poker, mas não de um jeito bom pra mim, pois eram muitas horas e acabava matando aula. Atrapalhou meus primeiros anos na faculdade, quase perdi o curso”, relembrou.
Percebendo que o dia-a-dia com o poker não estava sendo positivo, o então estudante mudou a forma de contato com o jogo, sendo dealer. “Comecei a ter uma relação mais saudável, pois eu conseguia estudar e não jogava quase nada”.
Formado na faculdade e tendo passado em um concurso público, Aloisio voltou a jogar, mas a atração pelo NL Hold’em começou a diminuir e uma nova paixão surgiu: os Mixed Games. “A galera não costuma conversar, diferente do mixed, que é extremamente divertido, com a galera sempre conversando. Os outros jogadores não ligam em dar dicas, o ambiente é bem mais agradável, por isso fui fazendo essa transição”.
O campeão mundial seguiu explicando como é sua relação diária com o poker. “Nos últimos quatro anos, fiz questão de ter essa relação saudável com o poker. Atingi esse equilíbrio nos últimos quatro anos. Eu não jogo poker em Brasília, sempre viajo para jogar poker, indo para os BSOP’s e a WSOP. Durante a semana, minha vida é normal, com o meu trabalho e fico com a minha família”.

Aloiso aproveitou para deixar um recado para os fãs do esporte da mente. “Se eu pudesse deixar uma mensagem é essa: tenham uma relação saudável com o poker. Não o deixe dominar a sua vida. Vi muitos relacionamentos acabarem, perder muita coisa, por falta deste equilíbrio”.
Apesar de ter conquistado o título, o jogador já retornou ao Brasil e apontou o equilíbrio como um dos motivos. “A viagem estava marcada com os dias contados. Volto para o Brasil para ficar com minha esposa e voltar a trabalhar normalmente. Além disso, eu estava doente, ia ser ruim esticar um pouco mais a viagem”.
Mesmo com o título, o jogador segue com o pensamento que não é o momento de se dedicar 100% ao poker. “Minha vida segue divida entre o meu trabalho e o poker. Não pretendo focar mais, gosto da minha profissão, gosto do que faço e sou muito grato por isso. Gosto muito de trabalhar no banco, trabalhar com TI, me sinto realizado”. Porém, o jogador revelou outras pretensões. “Pretendo, eventualmente, algum dia, ter uma estabilidade financeira, e que esteja cansado do meu trabalho, me aposentar, mas isso não está nos planos, nem no curto e nem no médio prazo. Quero manter está disponibilidade de seguir viajando para os BSOP’s e ir para Las Vegas. Neste equilíbrio está perfeito”.
O campeão mundial confidenciou que inicialmente não estava nos planos ir para o BSOP Winter Millions, mas a conquista está fazendo-o repensar. “Vou ter que conversar com a mulher aqui. Com esse resultado, pelo menos uma passada pelo salão, vou ter que fazer. Acho que sim, podem me esperar na etapa. Acredito que não ficarei toda etapa, mas uma passada, com certeza”.
Aloisio Dourado encerrou deixando um recado para quem sempre o apoiou “Agradeço demais a torcida. Eu sempre falo isso, tem várias esferas da minha vida que torcem por mim, e eu agradeço a todos. O pessoal do banco, meus amigos, minha família, a galera de Brasília, a turma de Mixed do BSOP, a galera do board game, que virou outro hobby. Eu só agradeço, me sentir querido por tanta gente”.












